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A maior habilidade de um líder é despertar o potencial de pessoas comuns.

A maior habilidade de um líder é despertar o potencial de pessoas comuns.

by Euclides Colombo

“A maior habilidade de um líder é desenvolver habilidades extraordinárias em pessoas comuns.” A frase atribuída a Abraham Lincoln coloca um holofote importante sobre o que realmente diferencia um grande líder de alguém que apenas ocupa um cargo.

Em um cenário de mudanças rápidas, novas tecnologias e pressão por resultados, é tentador acreditar que o melhor líder é aquele que resolve tudo, decide tudo e sabe tudo. Mas, quando tudo depende de uma única pessoa, a equipe se torna frágil, o líder vive sobrecarregado e o resultado passa a oscilar com o humor e a energia desse “herói solitário”.

Na metáfora da trilha, liderar não é carregar todos nas costas.

 É ajudar cada pessoa a caminhar melhor, com as próprias pernas, desenvolvendo competências que talvez nem ela mesma soubesse que tinha. É aqui que a frase de Lincoln ganha peso: quem assume o papel de desenvolver o extraordinário em pessoas comuns deixa de ser apenas “gestor de tarefas” e se torna construtor de gente.

Muitas vezes, quando falamos em “extraordinário”, imaginamos talentos raros, pessoas fora da curva, gênios naturais. Mas a realidade mostra outra coisa: o mundo do trabalho está cheio de profissionais com potencial enorme que nunca foram bem orientados, bem treinados ou bem desafiados.

Jim Collins, em “Empresas Feitas para Vencer”, mostra que grandes resultados raramente vêm de um gênio isolado, e sim de equipes comuns, bem lideradas, que cumprem uma disciplina clara ao longo do tempo. O papel do líder, então, deixa de ser o de astro principal e torna-se o de alguém que transforma capacidade dispersa em competência aplicada.

O que diferencia, na prática, um líder que desenvolve pessoas de um líder que apenas cobra?

Como ele enxerga a equipe é o primeiro passo:

Um primeiro aspecto é como ele enxerga sua equipe. Líderes limitadores olham para o rótulo: “é só um analista”, “é apenas estagiária”. Líderes desenvolvedores se perguntam: “que talento escondido essa pessoa tem?”, “o que ela pode se tornar se tiver o apoio certo?”. Peter Drucker sintetizou bem essa postura quando escreveu que a função da liderança é elevar a visão das pessoas, elevar seu desempenho a padrões mais altos e construir uma personalidade além de suas limitações normais. Em outras palavras, é olhar para a pessoa não apenas pelo que ela entrega hoje, mas pelo que pode ser.

A segunda diferença está na oferta de oportunidades.

Ninguém se torna extraordinário apenas ouvindo conselhos teóricos. É preciso ter espaço para praticar, testar, errar e melhorar. Muitos líderes até dizem que querem desenvolver pessoas, mas, na rotina, continuam centralizando as atividades mais importantes porque “é mais rápido se eu fizer”. Essa lógica até economiza tempo hoje, mas mantém todos dependentes amanhã. Líderes que realmente desenvolvem as pessoas escolhem deliberadamente dar desafios um pouco acima do nível atual de cada um, com limites claros e apoio presente, sem fazer no lugar. Isso exige paciência e coragem, porque sempre haverá o risco de algum tropeço no caminho. Só que é justamente nesse processo que se forma o extraordinário.

O terceiro elemento é o feedback.

Em algumas culturas, feedback virou sinônimo de bronca sofisticada, algo que aparece apenas quando há problema. Na essência, porém, feedback é uma ferramenta de construção. Marshall Goldsmith, referência em liderança, lembra que feedback é um presente que você oferece para aumentar as chances de sucesso do outro no futuro. Na prática, isso significa descrever comportamentos e resultados concretamente, dizer claramente o que foi bem-feito, o que precisa melhorar e sugerir caminhos possíveis, sem humilhar, sem ironia, sem rótulos. Um líder que desenvolve pessoas não espera a avaliação anual; ele conversa ao longo da trilha, ajusta rotas, reforça avanços e não deixa ninguém caminhar perdido.

Um quarto ponto é a criação de segurança psicológica.

 Ninguém se arrisca a aprender em um ambiente em que qualquer erro vira motivo de piada, em que perguntas são vistas como sinal de fraqueza ou em que só quem acerta é lembrado. Para que pessoas comuns desenvolvam algo extraordinário, elas precisam sentir que podem tentar algo novo sem serem destruídas se não acertarem de primeira. Isso não significa ser permissivo e aceitar tudo; significa combinar critérios, deixar claro o que é inegociável e, ao mesmo tempo, tratar erros honestos como matéria‑prima de aprendizado. É o líder dizer, com atitudes: “você pode tentar, eu estou aqui para te apoiar, e vamos aprender juntos”.

Um caso real ajuda a tornar tudo isso mais concreto.

Carlos (nome fictício), 44 anos, assumiu uma área de atendimento interno em uma empresa de médio porte. A equipe era considerada correta, mas nada especial. A fama do setor era a de “cumpridor de tarefa”, sempre na retaguarda, nunca na frente das decisões. Carlos vinha de uma cultura de comando/controle, mas, em um programa de desenvolvimento, se deparou justamente com a frase de Lincoln. Isso o incomodou, porque ele percebeu que, até ali, sua liderança dependia muito do próprio esforço e pouco do desenvolvimento da equipe.

Ele decidiu mudar algumas atitudes. Começou conversando individualmente com cada pessoa, perguntando em que situação se sentiam mais produtivas, o que gostariam de aprender e que parte do trabalho acreditavam poderem fazer melhor, se tivessem apoio. Descobriu, assim, uma atendente com olho clínico para organizar processos, um analista com habilidade quase natural para leitura de dados e alguém com uma empatia rara, ideal para casos delicados. Em vez de deixar essas capacidades escondidas, ele passou a criar pequenos projetos: a atendente ficou responsável por mapear o fluxo e sugerir melhorias, o analista passou a produzir relatórios simples de indicadores e a pessoa mais empática começou a treinar o time em abordagens mais humanas.

Clareza de abordagem:

Carlos deixou claro que aquilo não era teste para ver “quem serve” ou “quem não serve”, mas oportunidade real de crescimento. Ele combinou limites, prazos e momentos de acompanhamento. Não retirou o desafio das mãos da equipe quando surgiram dificuldades, mas também não se ausentou. A cada semana, fazia encontros rápidos para ouvir o que estava funcionando, o que não estava, e oferecia feedbacks específicos. Se algo dava muito errado, não havia humilhação em público; havia análise, correção e nova tentativa.

Após alguns meses, o que era um grupo comum se tornou referência interna. O tempo de atendimento caiu, a satisfação dos demais setores aumentou e a equipe passou a ser consultada na hora de desenhar processos novos. As pessoas não se transformaram em gênios; elas foram colocadas em uma trilha de desenvolvimento consistente, com um líder comprometido em extrair o melhor de cada um. Carlos, que antes carregava tudo nas costas, passou a ser visto pela diretoria como alguém capaz de formar gente, não apenas de resolver problemas.

Por que muitos líderes continuam centralizadores?

Se esse modelo gera resultados tão claros, por que tantos líderes continuam centralizando tudo? Em muitos casos, por questões internas: ego, medo e crenças. Ego, porque é sedutor ser o mais competente da sala. Medo, porque existe a fantasia de que, se o time brilhar demais, o líder perde relevância. Crença, porque muitos repetem a ideia de que “ninguém faz tão bem quanto eu”. O paradoxo é que, na prática, organizações valorizam justamente quem constrói equipes fortes. John Maxwell costuma dizer que líderes não se tornam grandes pelo poder que têm, mas pela capacidade de empoderar outras pessoas. Quem ajuda outros a crescer não se torna dispensável; torna‑se indispensável em um nível mais maduro.

Desenvolver o extraordinário na trilha.

A pergunta, então, deixa de ser “como faço para dar conta de tudo?” e passa a ser “como posso, nesta fase da minha trilha, desenvolver o extraordinário em pelo menos uma pessoa ao meu redor?”. Não é preciso começar com um grande programa de liderança. Você pode escolher uma pessoa, definir um desafio um pouco acima do que ela faz hoje, conversar com clareza sobre objetivo e apoio, acompanhar o processo e dar feedback durante o caminho. Pode reconhecer publicamente o esforço, não só o resultado perfeito.

 Pequenos passos assim, repetidos, criam uma cultura diferente.

No fim, a medida da sua liderança não é só o que você entregou, mas quantas pessoas se tornaram mais fortes após caminharem ao seu lado. Se a maior habilidade de um líder é desenvolver habilidades extraordinárias em pessoas comuns, quem é a primeira pessoa que você escolhe apoiar de forma mais intencional nesta semana na sua trilha de liderança?

Reflexão:

Se você  deseja potenciar suas habilidades para despertar pessoas comuns, o caminho continuar aprimorando suas habilidades e competências todos os dias. Explore outros artigos da Trilha Pessoal sobre liderança, inteligência emocional, produtividade e equilíbrio vida-trabalho, considere aprofundar nesse tema. Salve este texto para revisitar em tempos de pressão e compartilhe com as pessoas que você admira, e acompanhe novos artigos da trilha pessoal… E deixe sua opinião nos comentários abaixo!

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